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O conformismo e a vida. Mas o conformismo não é vida!

Comentário ao livro “A Vaca” do Dr. Camilo Cruz

Neste pequeno livro Camilo Cruz apresenta-nos, de uma forma divertida e até sarcástica, uma parábola sobre o conformismo e a mediocridade e de como estes podem impactar a nossa vida.

Camilo Cruz é um dos pensadores, autores e conferencistas mais influentes da América do Sul. Com formação em Ciência, foi professor de Física Quântica, Química e Matemática em várias Universidades dos Estados Unidos da América. No entanto é na área do Desenvolvimento Pessoal que se destaca, os seus seminários e conferências sobre desenvolvimento pessoal, sucesso profissional e liderança são frequentados por altos executivos de grandes multinacionais como a Wal Mart, Coca-cola ou a Good Year. É autor de best sellers e colaborador de importantes publicações nos EUA.

Camilo Cruz apresenta-nos, em forma de parábola, um texto sobre conformismo, e a forma subtil mas impactante, como este pode condicionar as nossas vidas e travar o nosso sucesso.

Cruz começa por nos contar a parábola da Vaca e do Mestre. Nesta parábola o Mestre, que pretende dar uma lição de vida ao seu discípulo, vai matar uma vaca, a única fonte de sustento, rendimento e até marco de estatuto social de uma pobre família de um bairro social. Esta morte, que tudo tinha para ser trágica, revelou-se um momento de mudança profunda naquela família, obrigou ao abandono do conformismo, e fez com que a família lutasse por uma vida melhor.

A vaca nesta história e que nos vai acompanhar durante todo o livro simboliza tudo aquilo que nos mantém presos ao conformismo e à mediocridade impedindo-nos de alcançar o sucesso pessoal e profissional. A vaca, de uma forma metafórica, são as desculpas, os pretextos, as mentiras, as falsas crenças, as justificações, são tudo aquilo que nos prende a determinada situação e não nos permite avançar, são, por vezes, amarras que a sociedade, família ou o meio onde estamos integrados nos impõem e das quais não nos conseguimos livrar, por conformismo ou simplesmente por desconhecimento. Mas, são também amarras que nós próprios criamos e que nos condicionam mantendo-nos presos a uma mediocridade, a uma vida de que não gostamos, mas da qual não saímos.

As vacas existem e estão presentes na vida da maioria, no entanto, tal com muitos maus hábitos que possuímos, não admitimos a sua existência. Muitos de nós não temos consciência de que elas existem e fazem parte das nossas vidas e dos nossos comportamentos, não temos consciência de que elas nos condicionam e impactam as nossas vidas.

De acordo com o autor, as vacas são, de uma forma geral, divididas em duas categorias: as desculpas e as atitudes limitadoras.

Nas desculpas englobamos as justificações, os pretextos, as evasivas, as desculpas e as “mentirinhas piedosas”. Já a categoria das atitudes limitadoras é constituída pelos medos, dúvidas, explicações racionais, limitações e falsas crenças. As desculpas são, certamente, as vacas mais comuns, são a forma que encontramos para camuflar a nossa mediocridade e de nos livrarmos de responsabilidades, muitas das desculpas são socialmente aceites pelo fato de serem tão comuns, serem tantas vezes repetidas e partilhadas por muitos. De uma forma deliberada mas muitas vezes camuflada, as desculpas servem para não nos responsabilizarmos e para não assumirmos o controlo das nossas vidas.

Todo o texto é pautado por uma certa ironia e até sarcasmo. A figura da vaca é usada de forma simbólica, faz-nos rir enquanto nos obriga a refletir sobre o nosso comportamento, teremos vacas? Uma, duas ou várias? Reconheço-as? Todas estas perguntas povoam a nossa leitura do texto.

Cruz categoriza as vacas, atribuindo-lhes nomes, assim temos:

  1. As vacas do “eu estou bem” – não preciso de mudar porque eu até estou bem, há quem esteja pior;
  2. As vacas da “culpa não é minha” – Eu até fazia, mas A, B ou C não me permitem;
  3. As vacas das falsas crenças – estas são, de acordo com Cruz, muito perigosas, porque são mentiras que nos foram impostas, por nós próprios ou pelos outros, mas que acreditamos serem verdades.
  4. As vacas que procuram desculpar o indesculpável- aqui encontramos todas aquelas ações que não fazemos porque simplesmente não queremos, atribuindo-lhes um grau de dificuldade extremamente alto.
  5. As vacas da impotência – aparecem quando acreditamos piamente que não sabemos ou podemos fazer determinada coisa.
  6. As vacas filosofais – Quando nada fazemos e apenas usamos desculpas para as nossas desculpas.
  7. As vacas do auto engano – aquelas que nos levam a enganar-nos a nós mesmo, fazendo-nos acreditar na mentira que contamos.

Todas elas estão presentes na vida da maior parte das pessoas. Há quem tenha apenas uma, há quem tenha várias. Há quem as reconheça, há quem as negue. No entanto, a sua existência é inegável e é a elas que se deve o fracasso, o conformismo, a mediocridade, o insucesso, etc. Como já foi dito, a sua existência é, sem qualquer sombra de dúvida uma âncora que não nos permite zarpar e viver uma vida plena. Assim, cabe a cada um lutar contra todos os fatores que o impedem de triunfar, cabe a cada um aniquilar as suas vacas. Para que isso aconteça é fundamental reconhecer que elas existem, reconhecer que se usam desculpas indevidamente, reconhecer que há falsas crenças, reconhecer o nosso valor e lutar por ele. Reconhecer que conseguimos fazer algo a que nos propomos, que somos nós que temos o controlo e a responsabilidade da nossa vida.

Depois de reconhecimento e da sua identificação há que trabalhar, ser metódico, lutar pelos objetivos traçados, não permitir que consciente ou inconscientemente os maus hábitos, os comportamentos errantes, as desculpas, as crenças voltem a impor-se, voltem a atirar-nos para um mundo nebuloso e escuro, o mundo do conformismo e da mediocridade.

Cruz estabelece cinco passos para as pessoas se livrarem das suas vacas:

Primeiro passo – identificar a sua vaca;

Segundo passo – Determinar que crenças limitadoras se escondem atrás de cada vaca;

Terceiro passo – Fazer uma lista dos efeitos negativos que estas vacas produziram na nossa vida;

Quarto passo – Fazer uma lista de todos os resultados positivos que surgirão como consequência de matar as suas vacas;

Quinto passo – Estabelecer novos padrões de comportamento.

“Qual será o resultado de viver uma vida livre de vacasSe pudéssemos perguntar a Galileu Galilei, um dos mais famosos cientistas de todos os tempos, seguramente ele responderia: uma vida onde reina a verdade. Se as nossas vacas não são reais, se não são verdade, como constatámos várias vezes ao longo deste livro, viver sob o seu domínio é permitir que um mentira governe as nossas vidas.”

O que o Dr. Camilo Cruz pretende neste pequeno parágrafo é fazer-nos entender que permitir que desculpas, falsas crenças, maus hábitos, padrões de comportamento, etc. limitem a nossa vida, conduzam a forma como vivemos é viver numa mentira, é viver uma realidade condicionada, por nós próprios e pelos outros, assim, é fundamental escutar-nos, conhecer-nos, acarinhar-nos, permitir-nos, ser capaz de celebrar os nossos sucessos, reconhecer os nossos fracassos, lutar pelos nossos sonhos, saber que os limites são impostos apenas por nós próprios e só assim viveremos uma vida livre de conformismo e de mediocridade.

Artigo de: Teresa Mendes / Coach

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